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Tendências decoração 2026: o que vai durar e o que não vai
A nossa leitura do ano, do castanho-chocolate aos tapetes em camadas.
Por Zarbish · · 11 min de leitura

As tendências de decoração de 2026 apontam todas para o mesmo lado: divisões que parecem vividas e feitas à mão. Madeira escura, castanho-chocolate, verdes terrosos, azul-acinzentado, textura, padrão e ofício entram; o cinzento frio, o minimalismo despido, os conjuntos a condizer e o espaço aberto saem. A nossa leitura: o que assenta em materiais fica. O brilho e os artifícios, não.
As tendências abaixo vêm da imprensa de decoração e, onde uma revista defendeu a ideia, fica o nome. Os veredictos são nossos: o que dura, o que passa, o que depende de como se faz, e como trazer a parte que dura para uma sala sem começar do zero.
O essencial
- As tendências de decoração 2026 apontam para um só lado: divisões que parecem vividas e feitas à mão, em cores terrosas quentes, madeira escura e textura funda.
- As cores do ano de 2026 são todas neutras: Cloud Dancer, da Pantone, um branco suave; Silhouette, da Benjamin Moore, um castanho espresso; Universal Khaki, da Sherwin-Williams, um castanho-claro médio.
- Os castanhos quentes, o caqui e o creme estão a substituir o cinzento frio como base da sala em 2026, com azul-acinzentado, azeitona e sangue de boi como acentos.
- As tendências de tapetes de 2026 são a textura, tapetes maiores, cores únicas fortes, sobreposição e peças feitas à mão ou únicas, segundo a Veranda e a Homes & Gardens.
- As tendências com mais hipóteses de durar são as que assentam em materiais, lã, madeira, barro e ofício; o brilho total, o falso vintage e as regras de efeito datam primeiro.
Quais são as tendências de decoração para 2026?
As tendências de 2026, tal como as contaram a Vogue (julho), a Elle Decor (número de outono, agosto) e os designers que entrevistaram, são estas:
- Divisões vividas. Salas mostradas como se usam, com mistura de épocas e materiais em vez de um conjunto coordenado. A Vogue chama a uma parte disto a era anti-algoritmo, expressão da designer Sarah Lederman: clientes a recusar salas copiadas das mesmas poucas imagens. A versão da Elle Decor, pela voz do designer Noa Santos, é a casa anti-flip, o contrário da casa remodelada à pressa para vender.
- Madeira escura. Depois de uma década de carvalho claro e branqueado, voltam a nogueira, o carvalho tom espresso e o wengé, segundo os designers das duas revistas, muitas vezes com raiz, peças recuperadas e pátina.
- Cor terrosa. Castanho-chocolate com azul-pó pálido, verdes terrosos, caramelo e ocre, muitas vezes a cobrir paredes e teto (Vogue); castanhos-tabaco, verdes minerais e barro, com sangue de boi e bordeaux contra a nogueira (Elle Decor).
- O toque humano. Lã atada à mão, vidro soprado, madeira entalhada, peças que mostram como foram feitas. Os designers da Vogue ligam-no a um mundo cada vez mais digital: quanto mais ecrã, mais valem a textura e a imperfeição.
- Romance e florais. Salas mais suaves, de livro de histórias, com tecidos florais, um afastamento do minimalismo contido (Vogue).
- Têxteis na parede. Tapeçarias, peças bordadas e até um tapete decorativo pendurado como arte (Vogue).
- Divisões com função. O espaço aberto a dar lugar a divisões feitas para usos concretos (Vogue).
- Azulejos pintados à mão a substituir o xadrez atrás da bancada (Vogue), e franjas decorativas em camas, sofás e almofadas.
- Reflexo e tensão de materiais. Espelhos de bronze, laca, tetos brilhantes, superfícies polidas contra superfícies em bruto (Elle Decor).
Cores tendência 2026
As cores de 2026 partem dos neutros quentes e juntam-lhes acentos terrosos e saturados. As três cores do ano mais conhecidas são todas neutras, e duas delas são quentes:
| Cor do ano 2026 | O que é | Com um tapete |
|---|---|---|
| Pantone 11-4201 Cloud Dancer | Um branco suave, vaporoso, o primeiro branco escolhido pela Pantone, anunciado em dezembro de 2025 | Uma base para a cor: funciona sob qualquer tapete, melhor com um quente ou com padrão, para a sala não arrefecer |
| Benjamin Moore Silhouette AF-655 | Castanho espresso com fundo antracite | Tapetes marfim e creme, ou um tapete com um campo escuro próprio, como o Tadla mais abaixo |
| Sherwin-Williams Universal Khaki SW 6150 | Um castanho-claro médio, com uma ponta de amarelo | Tapetes ferrugem, terracota e verde-azeitona; azul para contraste |
À volta desses neutros, a imprensa nomeia os acentos: chocolate e caramelo, ocre, verdes terrosos e azeitona, azul-acinzentado, sangue de boi e bordeaux, e tons de joia profundos, esmeralda, beringela, safira, azul-marinho quase tinta, para tapetes de uma só cor forte (Homes & Gardens).
O Legzira, o tapete no topo desta página, é o bordeaux de 2026 posto no chão: um campo bordeaux profundo com faixas de lavanda e terracota, com o nome da praia perto de Sidi Ifni conhecida pelos arcos de rocha vermelha. Ao lado de um sofá rosa-antigo, duas poltronas em bouclé, uma mesa de travertino e uma parede de lareira em pedra, impede uma sala clara de arrefecer: muito de 2026 numa só fotografia, tudo quente e tudo para tocar. O Legzira pertence à Dama, a nossa coleção de composições arquitetónicas.
Que cor está a substituir o cinzento?
Os neutros quentes estão a substituir o cinzento: caqui, castanho-claro, creme e castanho. Duas das três cores do ano dizem-no sem rodeios. A razão é simples. O cinzento foi escolhido para combinar com tudo e acabou por não dizer nada; os neutros quentes vão buscar a cor à madeira, ao barro, ao couro e à lã, os materiais de que o resto de 2026 trata. Nos tapetes, areia, aveia, chocolate e terracota fazem hoje o trabalho que o cinzento fazia.

O Tadla mostra o castanho de 2026 no chão: quadrados de lã em relevo, a alternar chocolate escuro e um taupe rosado, separados por canais estreitos em creme. Sob um sofá de couro escuro e uma cadeira em bouclé, o tapete é castanho sobre castanho, e a textura impede-o de pesar. O nome vem da planície irrigada no sopé do Médio Atlas, e os quadrados leem-se como os seus campos vistos de cima.
Tendências de tapetes 2026
As tendências de tapetes de 2026 empurram todas para mais: mais textura, mais tamanho, mais cor e mais ofício. Duas listas marcaram o ano. A da Veranda, em abril, nomeou dez: sobreposição, novas leituras das fibras naturais, tapetes antigos e vintage, padrões como arte, cor forte, fibras técnicas, a teoria do tapete «errado» (um tapete que, de propósito, não acompanha a formalidade da sala), textura, tapetes sobredimensionados e peças de investimento. A Homes & Gardens, em janeiro, nomeou sete: textura ao máximo, com a lã atada à mão e os tapetes marroquinos dados como exemplo; cores únicas saturadas; formas suaves e arredondadas; tapetes vintage e únicos; castanho-chocolate; tapetes sobre tapetes; e tecidos planos de inspiração folclórica.
Lidas em conjunto, as duas listas concordam em cinco pontos:
- Textura. Pelo alto, relevo esculpido, lã atada à mão.
- Tamanho. Tapetes maiores, que seguram todos os móveis, em vez de um tapete pequeno a flutuar no meio.
- Cor. Uma só cor forte, ou um padrão ousado tratado como arte.
- Camadas. Tapetes sobre tapetes, e tapetes sobre alcatifa.
- Ofício. Peças feitas à mão, únicas e de investimento, em vez de reproduções baratas.

O Nila é a cor única saturada na prática: um azul-ganga profundo, liso, sem motivo nem cercadura, só a lã. Com um sofá de veludo castanho faz o par que os designers não param de citar este ano, castanho com azul. Os tapetes de uma só cor vivem na Dune.
O que achamos que vai durar
Estas tendências de 2026 vão ficar, a nosso ver, porque cada uma assenta num material ou num hábito e não num aspeto:

- Feito à mão e o toque humano. Não é um estilo, é uma qualidade, e a reação contra a uniformidade só cresce. Um tapete atado à mão é a sua forma mais literal: cada linha desvia onde uma mão a atou.
- Cor terrosa quente. Castanhos, barro, ocre e azeitona são as cores da madeira, do couro e da lã, por isso envelhecem com a sala e não contra ela. O cinzento frio datou numa década porque não pertencia a material nenhum.
- Textura. As pessoas tocam na casa todos os dias. Lã, bouclé, estuque e madeira retribuem; as superfícies planas e impressas, não.
- Tapetes à medida dos móveis. Um tapete que segura o sofá e as poltronas não é uma tendência, é a proporção certa, e nunca data. A ordem para escolher, tamanho, lã e cor, está em como escolher o tapete da sala.
- Madeira escura e pátina. O que fica melhor com o uso é o contrário de uma tendência. A lã faz o mesmo: amacia e assenta com anos de passos.
- Padrão e cor no chão. Quem vive com um tapete que tem algo a dizer raramente volta ao bege liso. Como construir uma sala à volta de um: decorar com um tapete colorido.

O Draa leva duas tendências que vão sobreviver ao ano: o azul-acinzentado que os designers juntam ao castanho e uma textura que se sente. Dois canais em onda estão esculpidos no pelo azul-ardósia empoeirado, como o rio que dá nome ao tapete, e o sofá de veludo caramelo ao lado traz o castanho. Há mais tapetes esculpidos na Terrain.
O que achamos que não vai durar
Estas passam primeiro, a nosso ver, porque dependem de uma superfície ou de uma regra e não de um material:
- Brilho por todo o lado. Uma mesa lacada ou uma soleira espelhada é um acento forte. Uma sala inteira de brilho mostra cada dedada e cansa a vista.
- Textura como jogo de volume. Pelo muito alto em todas as divisões soa acolhedor e vive mal: achata com a passagem e guarda migalhas. O pelo longo fica bem onde se anda devagar, um quarto, um canto de leitura; as divisões movimentadas pedem pelo curto ou médio.
- Falso vintage. Tapetes sintéticos impressos, envelhecidos à força para parecerem antigos. Um dos designers ouvidos pela Veranda no seu apanhado de tapetes avisou contra eles, e envelhecem mal porque o desgaste é impresso e não conquistado.
- O tapete «errado» como regra. Um tapete que surpreende a sala resulta uma vez, escolhido por uma razão. Como fórmula, é o artifício do ano.
- Salas feitas para a fotografia. O ponto anti-algoritmo aplica-se às próprias tendências: uma sala montada a partir desta lista num fim de semana vai parecer 2026 em 2028.
O que depende de como se faz
- Cor do chão ao teto. Paredes, rodapés e teto numa só cor profunda resulta numa divisão pequena com boa luz; numa divisão escura, mantenha o chão mais claro para a sala não fechar.
- Romance e florais. Dura quando vem de uma boa peça floral, um tapete ou uma poltrona, contra superfícies lisas; data quando todas as superfícies são florais.
- Tapetes técnicos e laváveis. Práticos em cozinhas, entradas e sob a mesa das crianças, como a designer Ashley Gallion disse à Veranda, guardando o tapete de investimento para a sala de estar e a de jantar. A comparação completa está em lã ou tapete lavável.
- Vintage e peças únicas. Vale a pena quando a peça é de facto antiga e está sã; um tapete novo atado à mão ganha a sua própria pátina em sua casa.
- Boho. Continua, numa forma mais quente e mais reunida: tapetes boho que ficam.
Como usar as tendências de 2026 sem refazer a sala
Comece pelo maior têxtil da divisão, que é quase sempre o tapete, e deixe o resto seguir em pequenos gestos:
- Aqueça o chão primeiro. Troque um tapete cinzento ou frio por um em neutro quente, num castanho ou num tom de barro, ou numa só cor forte. Nada muda a temperatura de uma sala tão depressa.
- Junte uma textura. Uma poltrona em bouclé, uma almofada de veludo, um tapete esculpido.
- Traga uma peça de madeira escura. Uma mesa de apoio em nogueira ou uma arca antiga.
- Escolha um acento da paleta do ano que já tenha algures em casa: azul-acinzentado, azeitona, sangue de boi, ocre.
- Pare aí por uma estação. As salas vividas constroem-se com o tempo; é esse o sentido da tendência.

O Tabia mostra o primeiro passo na sua forma mais simples: um redondo liso num terracota puxado ao rosa, cor de barro sob os pés, contra um sofá branco curvo, uma parede de madeira canelada e dois arcos forrados a azulejo laranja vidrado.
Alcatifa em 2026: está fora de moda?
A alcatifa não é a história de 2026 na imprensa que lemos; os tapetes são. A tendência de alcatifa que apareceu é a sobreposição: a Homes & Gardens cita um fabricante de tapetes que espera ver os designers a pôr tapetes sobre alcatifa, tal como sobre chão duro, para dar textura e dividir espaços abertos. Se tem alcatifa em casa, o gesto de 2026 é um tapete com padrão e pelo curto por cima, à medida dos móveis.
Tendências de decoração 2027: os primeiros sinais
A direção de 2027 já se vê, e continua 2026 em vez de o contrariar. A Homes & Gardens já publicou um artigo de 2027 sobre o que está a substituir o tapete bege básico. Esperamos que três coisas sigam em frente: a cor quente e profunda a manter o lugar sobre os neutros frios; padrão e cor no chão a crescer à medida que as salas aquecem; e o ofício, peças feitas à mão com um autor visível, a tornar-se norma e não exceção. Atualizamos esta página em dezembro.
Comprar uma tendência que dura
Um tapete é o têxtil mais caro que a maioria das salas tem, por isso compre pelas tendências que ficam: cor quente, textura, ofício, o tamanho certo. As nossas tintas naturais são fixadas para a cor não transferir nem mudar com o uso, e cada cor é conferida com o design final na lavagem, antes de o tapete seguir viagem, o que conta num tapete que quer guardar para lá da tendência.
Quer ver como o chocolate, o bordeaux ou o azul-acinzentado ficariam com o que já tem? Fotografe a sala para nós. A seguir: ideias de decoração boho para a sala, depois a coleção Bloom.















