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O que é um tapete berbere: os tipos e como os reconhecer

A região, o pelo e as cores: o que cada nome conta.

Por Zarbish · · 7 min de leitura

Um tapete berbere é um tapete de pelo em lã, atado à mão segundo a tradição amazigh das montanhas e planícies de Marrocos, e cada um tem o nome da região ou da tribo que o atou. Esse nome não é um rótulo: diz a altura do pelo, as cores que dominam e a forma como o padrão ocupa o campo. Ao lado de um Arraiolos, bordado à agulha sobre tela, o tapete berbere segue outro caminho: cada nó é preso à teia, fileira a fileira, até formar a superfície.

Os tipos dividem-se primeiro pelo relevo. Nas montanhas do Médio e do Alto Atlas, atava-se para chãos frios, com a lã dos rebanhos, muitas vezes na sua cor natural; nas planícies, a tinta e a cor ganharam espaço. A Zarbish concebe as suas coleções a partir destas linhagens, e Jibal é a que fica mais perto da montanha.

O essencial

  • Um tapete berbere é um tapete de pelo em lã, atado à mão segundo a tradição amazigh das montanhas e planícies de Marrocos.
  • Cada tapete berbere tem o nome da região ou da tribo que o atou, e esse nome indica o pelo, as cores e a forma como o padrão ocupa o campo.
  • Quatro estilos de pelo cobrem quase tudo o que se encontra: Beni Ourain, Mrirt, Boujaad e Azilal; o kilim é tecido plano, sem pelo.
  • Os tapetes de montanha do Médio Atlas são de lã sem tingimento; o Boujaad, das planícies, é o mais colorido.
  • Vire o tapete: um tapete atado mostra o padrão no avesso, nó a nó, e um kilim mostra o mesmo padrão dos dois lados.

Os principais tipos de tapetes marroquinos

A tabela lê-se por linha: a região decide a lã e as cores, as cores decidem o aspeto.

EstiloRegiãoPeloCoresAspeto
Beni OurainNordeste do Médio AtlasAlto, macioLã marfim sem tingimento, linhas castanho-escuras ou pretasLinhas e losangos sobre fundo claro, por vezes liso
MrirtCentro do Médio AtlasDenso, pesado, aveludadoSobretudo lã sem tingimentoSuperfície regular, geometria discreta
BoujaadPlanícies no sopé do Médio AtlasMédioCores quentes e intensasLosangos e sinais livres, muitas vezes fora do centro
AzilalAlto AtlasMais curtoFundo marfim, motivos coloridosSímbolos postos à mão livre
KilimAtlas e sulSem pelo, tecido planoAmpla, muitas vezes tingidaFaixas e geometria nítida, muitas vezes reversível

Os quatro estilos de pelo

Beni Ourain

O Beni Ourain é um tapete alto e macio do nordeste do Médio Atlas, atado em lã marfim sem tingimento e atravessado por linhas, losangos ou grelhas em castanho-escuro ou preto. O pelo é longo e solto, pensado para invernos de montanha, e muitas peças antigas quase não têm motivo. Os sinais raramente são simétricos: um losango aperta, uma linha hesita, uma fiada acaba antes da orla. É essa mão à vista que lhe dá força numa sala clara.

Na Zarbish, a linhagem continua em duas coleções. Jibal leva losangos e linhas a composições mais firmes; Dune guarda o campo marfim e deixa a lã falar sozinha. Todos os modelos desta família estão reunidos nos tapetes Beni Ourain.

Mrirt

O tapete Mrirt deve o nome à região de Mrirt, no centro do Médio Atlas, onde as tribos conhecidas em conjunto como Beni Mrirt atam um pelo denso, pesado e aveludado, quase sempre em lã sem tingimento. Onde o Beni Ourain é solto e comprido, o Mrirt é cerrado: mais firme sob o pé, mais rente também. É o par que mais se confunde, e a mão sobre o pelo desfaz a dúvida num instante.

A coleção Terrain é a leitura da Zarbish desta linhagem. O pelo esculpido, em altos e baixos, é uma ideia sua: dar o relevo de uma paisagem a uma lã tão densa, onde a tradição conhece uma superfície igual.

Boujaad

O Boujaad vem das planícies no sopé do Médio Atlas, à volta da cidade de Boujaad. Ali, as famílias atavam um pelo médio em cores quentes e francas, vermelhos, rosas e laranjas, com losangos e sinais soltos, quase em movimento. Um Boujaad antigo costuma ter desbotado do vivo para o suave, e é aí que mora boa parte do seu encanto.

Desta linhagem nasce a coleção Bloom, a cor como alegria da casa. Os tapetes em que a cor manda, de todas as coleções, estão nos tapetes coloridos.

Azilal

O tapete Azilal é um tapete atado à mão do Alto Atlas, com o nome da região de Azilal. O fundo é marfim, como no Beni Ourain, mas o pelo é mais curto e o padrão passa pela cor: vermelho, rosa, azul, amarelo e laranja, postos à mão livre, muitas vezes em algodão tanto quanto em lã. Era atado para a própria casa, e os sinais leem-se como uma caligrafia pessoal, raramente repetida. A Zarbish não faz Azilal; convém, ainda assim, reconhecê-lo, porque aparece à venda com o nome de Beni Ourain.

Kilim, boucherouite e outros nomes

O kilim é um tecido plano: não tem pelo, e o padrão nasce da trama colorida, batida até cobrir a teia. Em Marrocos, um tapete ou manta tecidos assim também se chama hanbel. Mais leve, mais fino e muitas vezes reversível, mostra uma geometria de aresta viva: faixas, riscas, pequenos losangos. A Zarbish ata apenas tapetes de pelo e não tem kilims.

Outros três nomes aparecem com frequência. O boucherouite é atado com tiras de tecido reaproveitado, vivo como uma manta de retalhos, e não é um tapete de lã. Os tapetes de Taznakht e do Glaoui vêm do sul, densos e quentes de tom, e o Glaoui junta pelo atado e tecido plano na mesma superfície. O Beni Mguild, por fim, é um tapete pesado do Médio Atlas, muitas vezes em vermelhos profundos e violetas.

A geometria, o fio comum

Berbere é o nome de família que abrange todos estes tapetes: Beni Ourain, Mrirt, Boujaad e Azilal pertencem à tradição amazigh de tecelagem, na serra e na planície. O que os une é a geometria: losangos, grelhas, xadrezes, ziguezagues e pequenos sinais, construídos fiada a fiada, porque um tapete atado nasce sobre uma grelha de nós.

Duas coleções da Zarbish partem desta geometria partilhada, e não de uma só linhagem. Dama pega no tabuleiro de damas, o jogo a que o darija chama dama, e deixa-o respirar; Mozaik vai buscar a sua geometria ao zellige e à arquitetura marroquina, como o Aman e os seus ziguezagues em degrau.

Como reconhecer o tipo de um tapete berbere

Uma fotografia e um minuto com o tapete bastam quase sempre. Siga esta ordem:

  1. Olhe para a superfície. Alta e desgrenhada aponta para Beni Ourain; densa e aveludada, para Mrirt; pelo mais curto com cor sobre marfim, para Azilal; plana, com faixas nítidas, para um kilim.
  2. Vire-o. Um tapete atado mostra o padrão no avesso, nó a nó. Um kilim mostra o mesmo padrão dos dois lados.
  3. Leia o fundo. Marfim sem tingimento com sinais escuros pertence aos tapetes de montanha do Médio Atlas; marfim com cores soltas, ao Azilal; um campo de cores quentes, ao Boujaad.
  4. Sinta o peso. Um Mrirt é pesado para o tamanho, um Beni Ourain é leve e fofo, um tecido plano dobra-se como uma manta.
  5. Toque na fibra. Um tufo de lã volta à forma e cheira levemente a lanolina. Motivos em algodão sugerem Azilal; tecidos misturados, um boucherouite.

O tamanho escolhe-se pelos móveis e não pelo estilo: o guia de tamanhos indica as medidas divisão a divisão.

O que quer dizer vintage num tapete berbere?

Vintage designa um tapete que foi atado e viveu numa casa antes de chegar ao mercado, normalmente há algumas décadas; «antigo» fica para peças bem mais velhas. A palavra fala da idade, não do tipo: há Beni Ourain, Azilal e Boujaad vintage. Uma peça vintage traz a sua vida consigo, cores mais brandas, pelo gasto, remendos antigos. Avalia-se como um tapete novo, com os passos acima, olhando depois de perto as orlas e as pontas, onde o desgaste começa.

Para escolher entre estes estilos o que serve a sua sala, com o tamanho, a lã e a cor pela ordem certa, leia o nosso guia sobre como escolher o tapete da sala.

Perguntas frequentes

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